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Vereadora Damires Rinarlly aciona polícia após ameaças e ataques misóginos na Câmara de Conselheiro Lafaiete

A sessão da Câmara Municipal de Conselheiro Lafaiete realizada na última terça-feira (26) foi marcada por um grave episódio de violência verbal, intimidação e ataques direcionados às mulheres presentes no plenário, às cidadãs que acompanhavam a transmissão online e às vereadoras Cida Toledo, Damires Rinarlly, Gina Costa e Simone do Carmo.

Durante o uso da Tribuna Popular, o pastor, missionário e radialista Juliander Dias Barbosa, representante da Assembleia de Deus, proferiu falas ofensivas, agressivas e ameaçadoras contra as mulheres e contra políticas públicas de proteção feminina. Em seu discurso, o orador afirmou que a Lei Maria da Penha “prejudica os homens” e “a família tradicional brasileira”, além de declarar que as mulheres estariam recebendo “privilégios”.

Não bastasse isso, o pastor passou a atacar diretamente o Projeto de Lei Ordinária nº 37/2026, de autoria da vereadora e secretária de Mulher do Partido Verde de Minas Gerais Damires Rinarlly, que dispõe sobre a implementação do Programa Botão do Pânico como medida de proteção às mulheres em situação de violência doméstica no município. Em 21 de maio, mesmo com posicionamento inicial contrário dos vereadores Pastor Angelino e Pedro Américo, após debate e mobilização, o projeto foi aprovado por unanimidade no Legislativo - inclusive com mudança de posicionamento dos dois parlamentares anteriormente opositores à proposta.

Já o pastor Juliander Dias Barbosa, na última terça, em seu momento de fala, se posicionou em tom pejorativo contra o projeto. “Amanhã ou depois vocês que aprovam projeto e requerimentos de botão do pânico, vocês mesmos que vão ser perseguidos; vocês vão ficar fechados e não vão ter saída”, disse. "Vamos fazer botão dos homens, botão do terror”, completou.

A iniciativa é fruto de uma articulação conjunta da vereadora Damires Rinarlly com a deputada estadual Lohanna, que destinou R$ 250 mil para o município visando a implementação efetiva do programa e fortalecimento da rede de proteção às mulheres vítimas de violência.

As declarações foram recebidas como ameaça explícita e clara violência política de gênero contra as parlamentares e contra todas as mulheres. Diante da gravidade das falas, a vereadora Damires Rinarlly solicitou imediatamente, ainda durante a sessão, a adoção das medidas cabíveis e o registro do boletim de ocorrência contra o autor das declarações. O episódio também foi repudiado pelas demais vereadoras, com pedidos de providências, e por vereadores homens presentes na sessão - que manifestaram indignação diante do conteúdo das falas e da tentativa de intimidação contra mulheres parlamentares e políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica.

“Não aceitaremos que a tribuna da Câmara seja utilizada para ameaçar mulheres, intimidar vereadoras ou atacar políticas públicas de proteção às vítimas de violência doméstica. Isso ultrapassa qualquer limite democrático e precisa ser tratado com a seriedade que a situação exige”, afirmou Damires Rinarlly.

A parlamentar destacou ainda que ataques contra a Lei Maria da Penha e contra mecanismos de proteção reforçam uma cultura de ódio que diariamente coloca vidas em risco no Brasil. O episódio gerou forte indignação e reacende o debate urgente sobre violência política de gênero, misoginia e segurança institucional dentro dos espaços públicos e democráticos.


 
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